20.9.11

PROJETO: “La Marmite”, um projeto autogestionário, bio e vegetariano

Twitter: PROJETO: “La Marmite”, um projeto autogestionário, bio e vegetariano http://verd.in/pq0y


“La Marmite” o que é?

La Marmite [caldeirão] é uma cantina autogestionada, bio e vegetariana, que organiza refeições coletivas. Montada pelo grupo de Chambéry da Federação Anarquista francófona. La Marmite tem por objetivo pôr em ação a autogestão em torno de um projeto concreto e, na organização das refeições, desenvolver outras relações entre os indivíduos.

Baseada nos princípios de igualdade, solidariedade, responsabilização, reapropriação do espaço público e auto-organização. Ele é um meio de se desenvolver na prática autogestionária, de confrontar os funcionamentos logo de princípio, e de mostrar que essas alternativas são possíveis.

A autogestão

La Marmite é um projeto autogerido pelos membros do grupo FA de Chambéry. Isso significa que no grupo organizador, não há chefe, nem responsável designado, mas sim uma organização coletiva e uma responsabilização individual. Nós praticamos a rotação de tarefas, não há especialização, mesmo se houverem competências diversas, e cabe a cada membro do grupo propor coisas, se engajar no projeto. Tarefas não faltam: logística, informação, ligações com os produtores ou cooperativas, gestão… as decisões são tomadas coletivamente e os mandatos controláveis, limitados e revogáveis podem ser concedidos para tarefas precisas.

As refeições são preparadas coletivamente. Lá onde nós intervimos, nós propomos às pessoas participar à preparação, limpeza, na organização da cantina. Na La Marmite, não se separam aquelas pessoas que comem, aqueles/as que servem e aqueles/as que lavam os pratos! Ao contrário, cada um/uma é convidado/a a se engajar em todos os níveis de organização das refeições, solicitando uma atitude ativa, responsável, num contexto de associação livre, voluntária e pontual com o grupo organizador.

Refeição vegetariana, biológica e local

Preocupando-nos com a ecologia e a qualidade de nossa alimentação, nós colocamos em questão todo o sistema de produção (agro-indústria) e de distribuição (supermercados) de produtos alimentares. Na La Marmite nós privilegiamos então os produtos sadios (produtos não geneticamente modificados, com certificação biológica ou não, produtos sem pesticidas nem fertilizantes sintéticos). Nós escolhemos também, na medida do possível, buscar nos produtores locais. Encorajar ainda curtas distâncias, é também por em questão as longas distâncias pelas quais passa a comida, conseqüência de uma produção organizada para maximizar os lucros em detrimento dos trabalhadores e do meio ambiente.

Quanto ao consumo de carne, não é preciso dizer que nós a denunciamos, principalmente por causa das condições da criação e de abate infligidas aos animais. La Marmite é, então, vegetariana. No mais, nós permitimos que vegetarianos ou não participem das refeições… Uma alimentação de qualidade é hoje reservada às populações favorecidas, o que é conseqüência da generalização dos produtos industriais, baixa renda, e do aumento geral dos preços dos produtos alimentícios. Com La Marmite, nós queremos possibilitar a todos e todas se beneficiarem duma alimentação de qualidade, sã e equilibrada.

Reapropriar-se do espaço público

La Marmite é uma cantina móvel que se instala em lugares públicos, e principalmente na rua. É uma marcha de reapropriação temporária de um espaço hoje sobre controle de segurança e submetido ao reinado da mercadoria e do comércio. Hoje as ruas de nossas cidades são dedicadas ao comércio, ao consumo. Nada mais se faz que comprar. Esses e essas que não tem possibilidade ou são refratários a isso são então excluídos/as pela ordem de segurança (como os jovens dos bairros populares, os abandonados, os sem-teto…). A polícia patrulha, caça os desviantes e suspeitos, controla as identidades, as câmeras de vigilância normalizam os comportamentos. No fim, a mercadoria ocupa quase que inteiramente o espaço, sendo praticamente a única coisa disponível nas ruas. Instalar-se na rua, e ali organizar uma refeição coletiva, é se reapropriar de um espaço que nos é tomado todo dia, para transformá-lo num momento de convívio e de experimentação.

Preço livre

A refeição da La Marmite tem o preço livre: cada um/uma dá o que quer ou o que pode, segundo seus meios. Esse princípio dá a possibilidade a quem quer que seja de vir comer, contribuindo com o que desejar, de 0 ao infinito. Não é que seja gratuito, porque o trabalho e a qualidade da refeição proposta tem um custo, que nós assumimos pelo autofinanciamento, mas nós não recusamos uma refeição a qualquer um que não possa pagar. O preço livre permite igualmente refletir sobre o valor disso que consumimos, e de ali incluir além do custo dos produtos (preço de retorno), o prazer que se teve. O suporte que se dá a iniciativa… É tudo simplesmente não pagar por reflexo, mas se responsabilizar por uma participação financeira livremente escolhida. Isso nos faz reaprender a estimar por nós mesmos o valor de uma refeição e do trabalho autogestionado que a tornou possível.

Para finalizar…

La Marmite é assim um projeto de múltiplas faces que contém a maior parte das idéias e práticas que nos são caras: liberdade, igualdade, solidariedade, autogestão, respeito aos outros, ao meio ambiente, convivência, auto-produção, não-desenvolvimento, reapropriação dos espaços, dos saberes e das técnicas. É uma prática concreta de anticapitalismo, é pôr em prática as idéias anarquistas. La Marmite quer igualmente poder estar presente nos espaços de mobilização social, para apoiar um movimento em ação, para difundir e transmitir as idéias e as práticas.

Mais infos:

› http://fa73.lautre.net/

Vídeo:

› http://www.dailymotion.com/video/xd5jxk_la-marmite-cantine-autogeree-une-pr_news?start=2#from=embed

Tradução > Tio TAZ

28.7.11

VÍDEO: Palestra com Gary Yourofsky – Universidade Georgia Tech, EUA



Palestra inspiradora de Gary Yourofsky, na íntegra, sobre direitos animais e veganismo, realizada na Universidade Georgia Tech, nos EUA, no verão de 2010. Ouça a esse palestrante que pretende desmitificar mitos, inundar sua mente com fatos interessantes e ajudá-lo a fazer escolhas éticas para ter um coração e uma alma mais saudáveis . Seu estilo carismático de discurso é único e tem de ser visto por qualquer um que se preocupe com animais ou que deseje transformar o mundo um lugar melhor.

27.7.11

TEXTO: O homem evoluiu como um animal carnivoro ou vegetariano?

Por: Sérgio Greif

É comum, atualmente, que no debate entre consumidores de carne e vegetarianos sejam utilizados argumentos relacionados aos "homens das cavernas", uns argumentando que os homens evoluíram como carnívoros e outros argumentando que evoluíram como vegetarianos. O presente texto traz considerações com relação a esse assunto. Conforme a teoria evolutiva corrente, por volta de 6 e 7 milhões de anos atrás viveu nas florestas africanas um antepassado do homem do tamanho de um chimpanzé, denominado Orrorin tugenensis. Esse proto-homem passava a maior parte do tempo nas árvores, em busca de seu alimento (frutas e folhas), mas as vezes descia ao solo. A presença de grandes molares e de pequenos caninos sugere que esses hominídeos tinham uma dieta baseada em vegetais, mas podemos inferir que, eventualmente, insetos e pequenos vertebrados também fizessem parte de sua dieta, à semelhança do que ocorre entre os chimpanzés.

Por volta de 4 milhões de anos atrás, o aquecimento global (que já existia nessa época) reduziu grande parte das florestas africanas a savanas, e isso levou os antepassados do homem a buscar novas adaptações. O espaçamento entre as árvores e a necessidade de percorrer grandes distâncias para encontrar seu alimento levou a um maior desenvolvimento do bipedalismo (capacidade de andar em duas pernas). Surgia então o gênero Australopithecus, com representantes com pouco mais de 1 metro de altura, cérebro pequeno e rosto largo, cujos representantes mais conhecidos foram o A. afarensis e o A. africanus.

Devido às condições de seu ambiente e às suas limitações físicas, esses hominídeos encontravam grande dificuldade em encontrar boas condições para sua subsistência. As frutas já não eram tão abundantes como na floresta, e o capim, que agora abundava nas savanas, não era digerível. Também para obter outros tipos de alimentos eles tinham grande dificuldade, visto que esses hominídeos não eram bem adaptados à caça. Eles não eram rápidos o suficiente para alcançar uma gazela na corrida, nem tinham garras, presas ou força suficiente para abatê-las.

Por isso, a maior parte do tempo, esses hominídeos passava forrageando, se deslocando em busca de folhas, raízes e frutos que conseguisse digerir. Eventualmente, quando encontrava um animal doente ou já morto ele consumia a carne com voracidade, pois carne significava uma grande quantidade de calorias e nutrientes concentrados, em um mundo onde não se sabia quando seria a próxima refeição.

Onivoria, quando não se tem controle sobre o meio ambiente, é uma vantagem evolutiva, porque permite que se coma qualquer coisa e não se morra de fome.

Por volta de 2 milhões de anos atrás, a competição por recursos nas savanas africanas havia aumentado bastante. As florestas eram ainda menos abundantes e nas savanas proliferava uma fauna de grandes herbívoros pastadores; os grandes predadores eram mais eficientes no abate de presas e mesmo as carcaças por eles abandonadas precisavam ser disputadas com hienas e abutres.

O homem precisou então criar novas estratégias evolutivas: Ele precisaria se tornar tão bom pastador quanto os outros pastadores ou tão bom predador quanto os outros predadores. Ou seja, precisava se tornar competitivo.

O caminho adotado foi o da 'irradiação', da 'diversificação adaptativa'. Nesse período surgiram várias espécies de hominídeos, das quais conhecemos pelo menos 5 espécies. Um grupo de hominídeos, o gênero Paranthropus, optou por se especializar na alimentação à base de vegetais fibrosos e pouco nutritivos, por isso desenvolveu um corpo robusto, com mandíbulas pesadas, molares bem achatados e um trato digestivo que permitia o consumo de grande quantidade de alimentos. Essas adaptações permitiam que esse hominídeo processasse alimentos como o capim e as cascas de árvores. É provável que esses hominídeos fossem estritamente vegetarianos, o que não demandava a fabricação de instrumentos ou a elaboração de estratégias de caça. O Paranthropus tinha o corpo robusto, mas o cérebro era pequeno, e o ambiente era extremamente favorável ao seu estilo de vida.

Por essa mesma época surgiam nas savanas outros grupos de homens, hoje reconhecidos como a transição entre os Australopithecus e o que já reconhecemos como os primeiros homens pertencentes ao gênero Homo. Eles eram a princípio necrófagos que seguiam os grandes predadores em busca das carcaças abandonadas, mas com o tempo desenvolveram técnicas para abater suas próprias presas. Esse gênero, que não podia digerir capim e cascas de árvore, especializou-se na caça de animais, consumindo também, sempre que disponível, vegetais mais nutritivos. Suas principais adaptações foram o desenvolvimento de ferramentas de pedra cada vez mais elaboradas, de um sistema de comunicação mais articulado e, um milhão de anos após, no domínio do fogo.

Esses hominídeos, para desenvolverem sua capacidade de cognição (crescimento do cérebro) precisaram tirar a energia de outros órgãos. Considerando que a maior parte da energia corpórea era gasta para manter o trato digestivo e que o tipo de alimentação adotado se consistia em sua maior parte de alimentos calóricos com nutrientes concentrados, os intestinos desse homem diminuiu, à medida que seu cérebro aumentava.

Nesse período em que os dois gêneros (os Paranthropus vegetarianos e a os Homo onívoros) coexistiram, o vegetarianismo, ou herbivoria, apresentou-se como uma vantagem. Pode-se imaginar que o Paranthropus levasse uma vida tranqüila, vivendo em vales verdes abundantes em seus alimentos, sem se arriscar em caçadas ou competir com outros predadores; As espécies do gênero Homo, por outro lado, encontravam-se sempre no limiar da sobrevivência, quase minguando de fome, arriscando-se em caçadas e precisando deslocar-se por grandes extensões de terra para encontrar seu alimento.

Novas mudanças climáticas posteriores diminuíram as extensões dos pastos, e as áreas verdejantes, em sua grande parte, deixaram de existir. Os Paranthropus definharam. O gênero Homo, mais acostumado aos deslocamentos sucessivos e à falta de segurança alimentar sobreviveu. Somos descendentes desses homens.

Ao contrário do que se acredita, a paleoantropologia não defende uma sucessão linear, onde o Homo habilis tenha dado origem ao Homo rudolfensis e ao Homo ergaster, e que desse tenha surgido o Homo erectus, o Homo heidelbergensis que deu origem ao Homo neardentalis e ao Homo sapiens, espécie à qual pertencemos. A evolução de todas essas espécies aconteceu a partir de ancestrais comuns, muitos deles ainda não encontrados.

Importante é que entendamos que as condições em que a evolução humana se deu permitiram que o homem desenvolvesse sua inteligência para compensar seus desvantajosos atributos físicos. Pedras lascadas para compensar a falta de garras e presas, lanças para compensar a pouca velocidade, estratégias de emboscada para compensar a falta de resistência. A carne nos acompanhou grande parte desse tempo, seja da carcaça abatida por outros animais, seja por nossos próprios ancestrais, mas não porque seus nutrientes fossem essenciais. A carne era muitas vezes a única opção.

O fato de que descendemos de Australopithecus e Homos carnívoros não nos torna carnívoros, nem aponta para o que deva ser nossa alimentação natural, alimentação para a qual fomos desenhados. Se em determinado momento de nossa evolução era determinante que a carne fizesse parte da alimentação, o atual momento aponta exatamente para o contrário.

Novas etapas de desenvolvimento levaram ao domínio da agricultura e então o homem começou a selecionar plantas com melhor composição de nutrientes e de melhor digestibilidade. Se a onivoria é uma vantagem evolutiva quando não se tem controle sobre o meio ambiente, a opção por uma alimentação em níveis mais baixos na cadeia alimentar passa a ser vantagem quando esse controle é conquistado. O homem agricultor tinha a segurança de saber que, se cuidasse de sua plantação, teria alimento para o ano inteiro. O cultivo de vegetais também permitia o sustento da família sem a necessidade de grandes deslocamentos. Permitia a fixação à terra e o sustento de um núcleo populacional maior em menor área. Mas mesmo isso não tornou o homem um animal vegetariano. O agricultor eventualmente empreendia caçadas nas florestas próximas, sendo a carne consumida sempre que encontrada.

A criação de animais (desenvolvida mais ou menos na mesma época em que se iniciou a agricultura) concentrou-se nas terras menos propícias ao cultivo. As populações humanas que se especializaram na criação de animais eram geralmente nômades e precisavam estar em constantes deslocamentos, em busca de novos pastos. Por isso não podiam subsistir com grande número de indivíduos. As populações que optaram pela agricultura fixaram-se à terra, podiam concentrar maior número de indivíduos e baseavam sua alimentação nos vegetais, não sendo porém vegetarianos.

Podemos dizer que a maior parte de sua história, as populações humanas subsistiram com dietas à base de vegetais, com o eventual acréscimo de.algum componente de origem animal. Essa ainda é a alimentação predominante dos seres humanos nos dias de hoje, quando consideramos que a maior parte dos seres humanos não tem acesso a produtos de origem animal. Esse "quase-vegetarianismo-involuntário", no entanto, não prova que o homem seja um animal vegetariano por natureza, e nem que, por outro lado, a desnutrição dessas populações possa ser atribuída a uma inferioridade da alimentação à base de vegetais.

Se a carnivoria foi determinante para a sobrevivência do homem em determinadas etapas de sua evolução, hoje ela se apresenta como uma desvantagem evolutiva (a carne está associada à maior incidência de doenças e a ocupação menos sustentável da terra). Também os vegetarianos não devem buscar na evolução do homem elementos para defender seu ponto de vista, o vegetarianismo é perfeitamente defensável sem a necessidade de uso dessa retórica.


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Sérgio Greif
sergio_greif@yahoo.

Biólogo, mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável".

14.7.11

DICA: http://music.vegan.fr/ - Um catálogo sobre bandas VEGANAS (Mundial)

O site francês music.vegan.fr oferece um serviço muito útil para quem quer ouvir bandas com a postura VEGAN!

Na lista apenas bandas VEGANAS!

GO VEGAN!

Acesse: http://music.vegan.fr/


TWITTE essa notícia: Quer saber quais bandas são veganas no mundo? veja um catálogo sobre bandas VEGANAS (Mundial) http://verd.in/0c85

5.6.11

Matéria: FBI procura pessoas para se infiltrar entre os ativistas de libertação animal

Houve dois relatórios esta semana de que o FBI (da Flórida) está à procura de informantes para fornecer dados sobre o movimento local dos direitos dos animais.



No primeiro caso, uma mulher em West Palm Beach, que é ativa no resgate de cães, foi visitada em sua casa por um agente do FBI. Ele disse que os militantes anti-vivissecção estão “cruzando a linha”, tornando-se “perigosos” e que “causarão danos a alguém”. O agente disse: “você tem um acesso que eu não tenho”. Ele disse-lhe que iria ser “recompensada” por qualquer informação que você fornecer - o agente também se ofereceu para levá-la para almoçar. Ela disse ao agente que não estava interessada. Antes de sair, o funcionário avisou-lhe para não se associar aos ativistas de direitos animais.



No início de abril, um ativista que faz web design para ganhar a vida foi contatado por uma “personal trainer” para ajudar a criar um site. O ativista se reuniu com a mulher em um café e conversaram por uma hora sobre o projeto. A “treinadora” complementa a sua história com fotos de seu trabalho, etc. Durante uma segunda reunião, do nada, ela mencionou que seu namorado era amigo de alguém que trabalha para o FBI, e que o FBI iria pagar “muito bem” para obter informações sobre ativistas pelos direitos dos animais locais. Ela disse que estava preocupada que os ativistas “poderiam se tornar violentos”. O ativista rapidamente encerrou a conversa.



É importante sensibilizar quando o FBI começa a dar voltas. A melhor defesa é sempre o silêncio, e as histórias deste tipo devem fornecer uma mensagem aos ativistas para se lembrar por que nunca se pode falar com a polícia.



Se você tiver sido visitado pelo FBI, por favor, ligue para a linha direta da Green Scare: 888-NLG-ECOLAW.



Peter Young

7.4.11

PALESTRA: Campinas e Região – A IFCH convida a todos para a palestra: OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA: MODOS DE USAR (UNICAMP/CAMPINAS-SP)



Palestra pelo Brasil: Campinas(SP)

A IFCH convida a todos para a palestra: OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA: MODOS DE USAR

Reflexões acera da ética, política e direito no uso de animais em experimentos científicos.

(biologia, medicína, farmácia, engenharia)

Mesa de Debate:

Luiz César Marques Filho
(Departamendo de História do IFCH/UNICAMP)
Nádia Farage
(Departamento de Antropologia do IFCH/UNICAMP)

Laerte Fernando Levai
(Ministério Público do Estado de São Paulo)
Omar Ribeiro Thomaz
(Departamento de Antropologia do IFCH/UNICAMP)


Dia:
12 de Abril de 2011 às 18h
Local:
Auditório1 - IFCH


SITE OFICIAL

ATIVISMO E CONVOCAÇÃO: A SPA – Sociedade Protetora dos Animais de Vonta Redonda (RJ) convoca para Manifestação contra RODEIO

Ativismo pelo Brasil: Volta Redonda(RJ)




NESTA SEXTA-FEIRA DIA 8 DE ABRIL ativistas estarão na entrada da ILHA SÃO JOÃO AS 09:00 H paramanifestação contra o rodeio, tortura animal, sofrimento e propagação da covardia à SERES SENCIENTES.

PARTICIPE!
TOME PARTIDO!

DÊ A SUA VOZ AOS ANIMAIS!!”

Mais informações: lauren.baqueiro@hotmail.com

DIVULGUE, PASSE A DIANTE
LIBERTAÇÃO ANIMAL!

ATIVISMO E CONVOCAÇÃO: Vanguarda Abolicionista convoca para manifestação contra vivissecção e testes em animais

Ativismo pelo Brasil: PORTO ALEGRE/RS

A Vanguarda Abolicionista convoca seus apoiadores para uma manifestação a se realizar no dia 17 de abril, das 9h às 18h, no Brique da Redenção, em Porto Alegre. Alinhada a grupos do Brasil inteiro, a Vanguarda vai protestar contra o uso de animais em testes e vivissecção, distribuindo materiais de esclarecimento e denunciando as atrocidades à população. Para os interessados em participar, sugere-se a leitura do texto ‘50 conseqüências fatais de experimentos com animais‘, como subsídio. Extenso material sobre o assunto pode ser encontrado no site www.1rnet.org. Em caso de chuva, o evento será transferido.

SITE OFICIAL

31.3.11

Matéria: Reivindicação de ataques incendiários contra automóveis e caminhonetes no mês de março -Argentina


Participação: ANA - Agência de Notícias Anarquistas

Matéria: Reivindicação de ataques incendiários contra automóveis e
caminhonetes no mês de março -Argentina
Data: 01 deAbril de 2011
*Comunicado:*

Existindo tantos companheiros que atuam pela liberdade dos presos e contra a
civilização que torna possível a vida carcerária, por que há tão poucos
ataques contra tudo o que alimenta a este sistema!

Nos sentimos identificados com aqueles que deixam de lado as palavras e
passam a ação aqui e agora. Não importa a forma ou a eficácia do ataque, o
importante é atacar de qualquer lugar para produzir um dano concreto nas
estruturas de Poder; e a melhor forma de fazê-lo é não respeitando os
cânones pré-estabelecidos pela sociedade, rompendo com os limites que são
impostos ao ser humano na Terra, como a programação da rotina do cidadão,
como as relações “regadas a bebidas” (etílicas) que consomem a energia dos
revoltosos mantendo-lhes entretidos igualmente como faz a TV…

O medo é nosso pior inimigo, mais ainda do que quem nos rouba a liberdade,
porque se antepõe entre o que nós podemos fazer e o que eles fazem; e o
combatemos sendo-lhe indiferente, ignorando-o, porque se lhe prestarmos
atenção seguramente nos seduzirá e nos levará com ele ao mundo da
passividade cúmplice desta realidade.

…Ainda que nos pareçam respeitáveis muitas lutas que vem sendo travadas, não
simpatizamos com elas porque essencialmente são reformistas e os que hoje
lutam pela não construção de uma estrada amanhã estarão fazendo turismo pelo
mundo ou votando nos ecologistas que nos governaram.

Assim são as coisas, ou são livres ou melhor que não o sejam.

E ser livre não é fazer o que se quer (porque sobre gostos não há nada
escrito nem haverá), já que o que um quer pode ser uma merda. Ser livre é
fazer o que um considera que se está certo, que respeita aos que são
afetados de fato, é ser responsáveis com a merda que defecamos porque se não
o fazemos o odor lhe vai chegar ao lado e ele não têm por que agüentá-lo.
Então a liberdade traz consigo o compromisso e a responsabilidade das
pessoas conscientes que a desejam e lutam por ela.

Cada um tem em sua mente a verdadeira razão de sua existência, alguns dormem
mais tranqüilos que outros, esses são os que estão convencidos do que fazem
e não andam pela vida pedindo desculpas ou perdão.

Nós reivindicamos os ataques incendiários contra automóveis e caminhonetes
do mês de março nas intersecções das seguintes ruas:

• Da Tecnica y Triunvirato

• Matienzo y Amenabar

• Fray Justo Santa Maria de Oro y Nicaragua

• Alejandro Margariños Cervantes y Andres Lamas

• Las Provincias y Huelguera

Amigo/as da Terra - Earth Liberation Front - Earth First.

24.3.11

Matéria: O dia em que a Barbie morreu

Participação: Fernando Sayuri
Matéria: O dia em que a Barbie morreu

Data: 9 de Fevereiro de 2011




Bom... esse texto é apenas um material de estudo e/ou de reflexão sobre um tema que talvez esteja muito mais relacionado com nossas próprias vidas do que imaginamos estar.
É uma história. Uma história de um rapaz. Um rapaz que estava viajando pelo mundo e que em certa ocasião conheceu suas próprias limitações entre uma atitude “radical” ou uma atitude “moderada”. E isso o fez entrar num outro campo de visão sobre seus próprios ideais.
Na verdade, eu não queria começar escrevendo as clássicas entradas de contos... como por exemplo: “era uma vez...” e todo esse blá blá bla...
Mas acontece que os fatos foram bem simples... e começaram exatamente dessa forma:

Era uma vez... um rapaz que estava fazendo uma viajem de bicicleta por alguns lugares que até então eram desconhecidos a ele.
Por muitas semanas e durante os dois últimos meses em que ele se encontrava justo nessa viagem, sempre esteve se portando de uma forma amena em relação ao contato com as pessoas que muitas vezes, num primeiro momento, não entendiam muito bem o porquê desse tal rapaz estranho a todos daquelas pequenas cidades no sul da Ásia, simplesmente não comer nada do que geralmente ali se comia: Muita carne.
Ele ainda dedicava parte do seu tempo em contato com seres humanos justamente tentando transmitir a ideia, primeiramente, de que ele mesmo não era um ser de outro mundo, simplesmente por se alimentar somente de coisas que geralmente aquelas pessoas consumiam como “acessórios” em suas respectivas refeições: Muita salada.
Esse rapaz era originário de um grande país da América do Sul. E alí, em diversas ocasiões se viu em situações realmente inusitadas.
Dentre tantas e tantas histórias para contar oriundas desses contatos, talvez a mais curiosa (pelo menos sob um ponto de vista “ético profundo”) tenha sido, ou melhor... tenha se passado em alguns poucos dias que esse rapaz chegou no vilarejo de Chantaria, ao norte de Phyton.
Gouki (vamos assim chamar o rapaz) havia decidido conhecer outras pessoas, mas o que talvez mais o tenha levado a sair com sua bicicleta do conforto do seu lar, foi justamente buscar critérios para a criação, talvez definitiva, de seus princípios morais e éticos para levar adiante.
Gouki tinha cerca de vinte e poucos anos, e metódico como só ele poderia ser, já havia se programado emocionalmente e espiritualmente para gerar uma vida a mais no planeta e encarar isso como a sua forma de construir diretamente um tal “mundo melhor” que sempre sonhara e buscara... Por isso a busca quase que final por ideias que realmente deveriam ser transmitidas, como se fosse um presente de toda a sua assimilação cultural... e que deveria ser levada adiante, justamente como uma semente que deixará dentro em breve.
Para validar todas as suas teorias, partiu então para outros pontos do seu mundo, para ver quais seriam os limites de suas crenças e quais os limites de sua própria ética.
O que passou é que ao chegar naquela pequena cidade, Gouki, como era de costume, procurava sempre se dirigir à praça central.
Ali sempre se concentravam as sedes de governo e as igrejas (principalmente ali naquele país, cuja colonização havia sido de exploração até meados do século XX e depois, apenas a independência estatal foi consolidada ao país, mas não a independência financeira), tão logo, o local onde as pessoas se reuniam...
Gouki estava viajando a pouco mais de duas semanas, dessa vez que se lançou por mais um largo período sem uma “base fixa”. Estava dessa vez, recém chegado da fronteira com o país visinho.
Estava exausto, na verdade.
Gouki estava dividindo sua aventura de bicicleta em algumas regras que ele mesmo as criou, e uma das mais utilizadas era a de que ele dormiria 2 dias ao sabor das circunstâncias e um dia em hotéis baratos. Sempre nesse ritmo, justamente para se ver obrigado a manter contatos com pessoas daquele lugar... sentir as culturas... as histórias...
Os dias mais emocionantes sempre eram os dias em que ele dormia ao sabor das circunstâncias.
Conheceu muitas pessoas. Conheceu muitos amores por onde passava. Fez grandes amigos. Trocou muitas sementes orgânicas e acima de tudo, por onde passava ele tinha quase que uma função individualista de expor seus pensamentos e absorver as impressões acerca de isso.
Gouki era um rapaz argumentativo e que sempre levou muito ao “pé da letra” tudo aqui que ele realmente acreditava.
Radicalismo para ele era apenas uma forma correta de você se guiar pela raiz da solução ao encarar um problema.
Nesse dia, Gouki chegou nessa cidade um pouco tarde, depois de um dia inteiro pedalando. Geralmente quando ele não dormia na estrada, em sua barraca, Gouki gostava dos centros urbanos, pois ficava praticamente toda a parte clara dos dias pedalando e só a noite tinha tempo para conhecer e trocar experiências com seres humanos.
Além do obstáculo da linguagem que era diferente, tudo no Gouki acabava chamando a atenção por onde ele passava.
Uma bicicleta estranha. Muitas coisas penduradas fazia dela mais uma “árvore de natal” do que propriamente uma bicicleta, além dele mesmo não ser um animalzinho humano dos mais comuns: Sempre com roupas sujas e rasgadas pelo tempo de estrada e barba já bem crescida e cabelo que não sentia um pente durante todo o período de viagem.
Em suma, Gouki gostava de chegar nas cidades, pois o sabor da estrada muitas vezes era o sabor da solidão mesmo... Nas cidades ele poderia conhecer pessoas e conversar horas e horas sobre coisas aleatórias e não raras às vezes... sobre coisas mais sérias, porém, para isso, acredito que por uma questão muito pessoal, Gouki buscava sempre aos mais velhos.
Gouki tinha quase que uma rotina de “testar” seus princípios e era quase que um sadismo de sua parte sempre querer levar até as últimas consequências os seus argumentos.
Gouki colecionava então as histórias das grandes discussões que haviam acontecido desde que saíra para essa viegem.
E dentro de um quase “repertório”, ele sempre colocava em questão temas bem complexos e quase sempre muito pesados...
Temas como aborto, consumo de uma forma geral, escravidão humana e não humana (aí, neste ponto, enfrentada pelos animais não humanos), prostituição, conceitos de uso de drogas, religião, dentre outros eram sempre abordados quase que de uma forma programada para ele.
Ele era, na verdade, um grande pescador. Ele jogava a isca, geralmente provocava o início das conversas, e com o tempo, ia dissertando ponto por ponto de seus argumentos até chegar quase sempre às suas mesmas conclusões... e então verificar as reações... se ele conseguia com isso causar contra argumentos para repensar seus conceitos...
Gouki, em geral, era muito receptivo à mudanças de seus pontos, nunca por um conformismo, mas sim depois de encontrar argumentos mais fortes.
Ele era socialmente racional demais para simplesmente aceitar sem existir um motivo por trás.
Mas isso passou a ser tão comum nos seus dias, que nem ele mais percebia quando estava se estudando ou quando ele estava simplesmente repetindo e vomitando um monte de teorias.
No tal dia que Gouki chegou à cidadezinha de Chantaria foi logo recebido com olhares curiosos, como o de costume.
Mas aí, nesse dia, ou melhor... final de dia, tudo passou a ser bem mais emocionante para ele.

Ao chegar à praça central da cidade (“Praça das Armas” era o nome da praça), Gouki estava disposto a quebrar uma de suas próprias regras, que ditava que ele sempre deveria ter um momento de algo que ele chamava de “troca de cultura”, que nada mais era do que se socializar na cidade. Mas Gouki estava cansado. Tudo que ele queria era encontrar logo um lugar para dormir e só.
Pois bem... recém desceu de sua bicicleta, no centro da cidadezinha, logo duas moças se aproximaram e uma delas perguntou se Gouki estava perdido por ali.
Gouki sabia como se portar como um verdadeiro turista quando queria!
Após alguns minutos de conversa, Sara e Madeleine se dispuseram a encontrar um lugar para Gouki ficar uns dias.
Os planos de Gouki ali, naquele momento, mudaram.
Ele começou a cogitar ficar mais tempo pela cidade do que o esperado.
Sara o levou à casa de um tio dela, o Senhor Stevan.
Um senhor um pouco grisalho, um pouco gordinho e de baixa estatura.
Parecia ser um homem do tipo brincalhão e com algumas poses, considerando que a cidade era quase rural, ele parecia ser “rico” alí naquela região.
Ele ofereceu a Gouki para ficar em sua fazenda, na saída da cidade. Uma fazenda enorme, com um campo verde enorme e com árvores quase que estrategicamente espalhadas. Uma casa mediana ficava bem no centro de tudo, e mais ao fundo, uma cabana feita de madeira (casa de Gouki por uns dias).
Stevan o levou ao lugar e disse que poderia ficar alí o tempo que fosse necessário.
Nesse final de dia, tudo que Gouki mais queria era só esticar as costas em um chão plano e dormir.
Mal desarmou todos seus equipamentos de acampamento e se enfiou no saco de dormir e despertou no dia seguinte, um pouco depois dos galos cantarem.
Gouki despertou para uma realidade que ele até então nem tinha se dado conta. Ele estava em uma chácara, quase dentro da cidade.
Gouki saiu da cabana para reconhecer o lugar. Era lindo, de fato.
Haviam dois cavalos que ficavam sempre muito perto da cabana. Haviam galinhas em uma região cercada mais ao fundo de sua cabana.
A casa onde Stevan vivia não era muito grande, mas para a média da cidade, era uma casa e tanto!
Dois carros que pareciam ser caros na garagem. E um cachorro enorme, mas tão bobo quanto o seu tamanho.
Gouki escovou os dentes. Fez sua sessão de yoga e foi desarmar sua bicicleta.
Arrumou suas coisas no andar térreo da cabana e subiu para ver o que havia na parte de cima.
Estava vazia. Não tinha nada, exceto um colchão velho (muito velho) estirado no chão, um travesseiro sujo e algumas roupas que ele não identificou quais eram que estavam jogadas ali em volta.
Gouki almoçou e depois foi fazer sua revisão geral na bicicleta, sua grande companheira.
Stevan veio o visitar, perguntou a Gouki se estava tudo bem. Trocaram uma meia dúzia de palavras sobre uma meia dúzia de temas... tomaram um chá e depois Steban disse que iria a cidade.
Depois disso, mais perto do entardecer, Gouki subiu novamente para o andar de cima da cabana para ver se conseguia aproveitar ainda aquele colchão.
Gouki havia mudado de planos. Ao invés de ficar um dia, Gouki se disponibilizou de alguns dias, já que havia encontrado um bom lugar e agradável para ficar, teria tempo para escrever sobre algumas coisas.. pensar em outras e esboçar a continuação da sua jornada quase que espiritual.
Gouki, ao subir e se aproximar da cama, percebeu que o que havia jogado perto do colchão eram roupas íntimas femininas.
Estranhando um pouco aquilo, Gouki se aproximou e viu que não só se tratavam de roupas íntimas femininas, mas como também que estavam todas rasgadas.
E nesse momento Gouki também verificou que a sujeira do colchão era advinda de machas de sangue e no chão perto donde o colchão estava.
Gouki ficou um pouco aflito ao ver tudo aquilo e num primeiro momento pensou em sair dali, sem avisar ninguém e simplesmente seguir viagem.
Mas isso não seria algo efetivo para Gouki. Talvez a curiosidade nesse instante tenha sido a força maior e fez com que ele respirasse fundo e voltasse para o térreo e sentasse em seu saco de dormir.
Nesse instante Gouki teve diversos pensamentos, e em grande parte deles, pensamentos negativos acerca de tudo que acabara de ver com seus próprios olhos.
Era quase que como uma cena de algum filme policial.
Gouki tentava lutar, mas a cena que presenciara era tipicamente uma cena de um estupro, com certeza.
Ele ficou muito assustado.

Bom... aqui a história acaba.
Ou melhor... aqui esse conto se acaba, para dar espaço à segunda parte.
Sejamos sinceros à partir desse momento, e encaremos essas palavras realmente direcionadas a quem realmente saiba do que estou falando.
À priori, Gouki não existe, e é apenas personagem de uma história que serviu unicamente para introduzir e confrontar um par de ideias sobre um tema de uma tal... “libertação”... mas na verdade, o propósito aqui é muito mais de encarar certas realidades que talvez sejam difíceis de serem encaradas, mas que de uma forma crua e seca... são apenas as tais realidades.

Vejamos o que temos por aqui:
Gouki é um rapaz vegan comum (e tudo mais que pode estar ligado a isso de uma forma positiva, ou seja, igualmente ele é pro-life ou seja, à favor da vida sob quaisquer circunstâncias, vegetariano ortodoxo, segue uma linha de desenvolvimento espiritual e físico e alguns outros detalhezinhos) que experimenta um momento de sua vida ao estar frente a frente com o inimigo.
Eu não sei quanto aos que me lêem, mas particularmente eu sinto uma coisa dentro de mim que me faz acreditar que eu não teria um encontro muito amistoso com uma pessoa que sabidamente exerceu um ato de estupro.
É seguro que eu penso em toda essa teoria de paz, mas sinceramente essa teoria de paz católica de receber um tapa e oferecer a outra face realmente não condiz muito com minha personalidade. Realmente eu não sigo esse princípio e muitas vezes, atuo de uma forma verdadeiramente oposta a isso. E por isso eu realmente não sei qual seria a minha reação ao estar na pele de Gouki. Mas enfim, esse não é o tema!
Pois bem... na verdade, Gouki se deparou, ali naquele momento em que descobriu que estava em uma cabana cedida por um estuprador, com uma situação que talvez seja bem mais comum de nós mesmos enfrentarmos do que se pode imaginar.
A história tem o seu final, logicamente. E bem resumido (até porque isso aqui não é para ser o Livro de Viagens de Gouki Akuma), Gouki descobre finalmente que se tratava de um estuprador. Mas que depois de algumas conversas, viu que Steban não entendia o estupro como algo “errado”... e ele simplesmente praticava porque achava que era assim que ele conseguiria satisfazer seus desejos. Na verdade, ela não sabia nem o que era “estupro”.
Enfim, existem dois finais para essa fase da história de Gouki em Chantaria, na verdade. No primeiro final, Gouki reúne algumas informações sobre o estuprador, recolhe umas evidências, tira umas fotos, e decide levar consigo até a fronteira e ao sair do país onde ele estava, Gouki entrega todo o “dossiê” para a policia federal e ofereceu isso como denúncia humanitária (sim.. isso se pode fazer nas regiões fronteiriças de alguns países que aceitam intervenções da ONU – Organização das Nações Unidas).
O outro final se conta assim: depois de alguns dias, Gouki sumiu da cidade onde estava. Tempo o suficiente para cruzar a fronteira e depois de mais alguns dias, descobriram que Steban havia sumido também. Até hoje não se tem notícias de Steban na cidade. Dizem as más línguas que tão pouco houve grande comoção por parte dos moradores da cidade, afinal, no fundo, todos daquela cidade sabiam das atrocidades que Steban cometia, mas ninguém tinha tido até então, coragem de denunciá-lo.
Mas antes de tratarmos da escolha para um grande final para essa história (até porque o final já aconteceu, na vida real), acredito que o que esteja em voga nesse instante é: Onde é que você quer chegar com isso tudo?”
Bom... limitando-se mais uma vez ao tema de que estamos falando para aqueles que sabem o que estão lendo, o fato era criar essa análise em cima de um rapaz que se descobriu convivendo com um estuprador, e desta forma, fez seus princípios literalmente entrarem em choque!
Na verdade, eu penso que após o conhecimento de Gouki que estava do lado de estuprador, Gouki acabou tomando algumas atitudes bem especistas.
Vejamos...
Estupro, ou melhor... em sua conceituação social diz respeito somente à indivíduos da espécie humana, e mais especificamente sobre o gênero feminino dessa espécie.
Pois bem... não nos limitando em aspectos excessivamente ligados às espécies, acredito que fazer você entender que estupro é basicamente forçar uma relação sexual sem o consentimento de uma das partes é bastante lógico, certo?
Eu já li alguns livros de pesquisa apontando quase que diretamente a palavra “estupro” como sendo uma pratica também adotada por outras espécies de animais (no caso, algumas espécies de macacos, cujas sociedades estão baseadas no patriarcado).
Desta forma, podemos diretamente entender que uma vaca é estuprada nas fazendas leiteiras todos os dias.
Se tratarmos de violência ou não violência, acredito não ser totalmente diferente, mas confesso que ainda o meu próprio especismo me coloca numa situação de muito mais tensão ao imaginar uma cena de estupro de uma mulher, do que imaginar uma vaca sendo estuprada ou inseminada artificialmente.  
Desta forma... quem são os estupradores?

Quem são os estupradores?
E acima de tudo... Qual a relação que temos com eles?

Gouki, eu, você ou qualquer outro ser humano é capaz de vivenciar uma cena dessas.
Porém eu mesmo me coloquei diante desse dilema... ou até mesmo de lapidar ou simplesmente erradicar a raiva que eu tenho daquelas pessoas que estupram... que matam... que esfolam... que bebem seus sangues vermelhos ou brancos (leite).
Porque, no final das contas... não é o senhor Steban que esta errado (SOMENTE!). Se eu realmente estivesse na pele dessa tal Gouki, eu realmente estaria agora em um grande conflito interno, justamente tentando buscar respostas para saber o que fazer nesse caso específico em que se teve que entrar em contato com um fato extremamente violento à sua própria espécie para então buscar fundamento para lutar à favor de outras espécies.
Uma vez eu já estive envolvido em algumas discussões calorosas sobre aquelas tais perguntinhas de “melhor e pior”, como por exemplo: “é melhor deixar de comer carne ou deixar de tomar leite?”
No fundo... não vejo isso como melhor ou pior, até porque é quase que como te perguntarem: “Você quer morrer com um tiro na testa ou um tiro na boca?”
Desta mesma forma, porque ter tanta raiva assim do Steban? Ou melhor... ter uma postura “radical” em relação ao Steban seria o mesmo (ou deveria ser o mesmo) que aplicar o mesmo tratamento “radical” aos demais estupradores, e aqui nesse caso, os que também tomam seus leites frescos embalados em tetrapak ou embutido nas deliciosas manteigas do interior de Minas Gerais no Brasil.
Onde esta a violência então e por fim... onde esta o sentido de lutar e se lutar... e qual a intensidade de luta.
Aceitar o estupro... a morte... a escravização... ou simplesmente radicar-se contra isso?
E... não é de hoje que vemos pessoas que ainda teimam em não expandir seus limites, inclusive, especistas.
Salvar o mundo para muita gente é salvar os humanos.
Assim como eu também já cansei de ver gente que quase se mata para salvar a vida de um cachorro, mas é incapaz de ajudar uma senhora de idade a atravessar a rua.
No fim... tudo faz parte de uma só raiz que nasceu de uma só semente.
E o que fazer então agora? Podar as folhas, ou arrancar as raízes?
A terminologia “especista” aqui foi literalmente tatuada na testa de Gouki... E talvez na minha própria testa, pois eu confesso que se fosse eu, na pele de Gouki, provavelmente optaria pelo segundo final... Mas se eu aceitasse o segundo final para o Sr. Steban, quais seriam os finais de todos os outros que estupram?
E o final daqueles que escravizam?
E porque se arrepiar tanto com um sujeito que estava praticando algo que ela nem tinha IDEIA da gravidade... e não se arrepiar ao ver sua mãe, seu pai, seu irmão tomando um copo de sangue branco (leite)?
Isso foi para Gouki... entender que o especismo esta enraizado de uma forma egoísta à sua espécie... e que mudar isso, no final das contas, seria ser radical, no sentido literal da palavra, ou simplesmente... conivente com o estupro.

Fernando Sayuri

18.2.11

Matéria: Japão suspende caça às baleias na Antártida

Participação: R7 - Canal de Informações Corporativa
Matéria: Japão suspende caça às baleias na Antártida
Data: 18 de Fevereiro de 2011



Japão decidiu suspender sua campanha de caça às baleias na Antártida até o final da atual temporada, informou nesta sexta-feira o ministro da Agricultura e Pesca, Michihiko Kano. O anúncio foi feito via a TV estatal NHK.
- O ministro disse que a campanha será suspensa devido à dificuldade de se garantir a segurança das tripulações diante do assédio incessante da Sea Shepherd.
A Sea Sheperd é uma organização ecológica que, com navios próprios, ataca os pesqueiros japoneses, danificando suas estruturas e impedindo-os de caçar os mamíferos marinhos.
A Agência de Pesca já havia anunciado, na quarta-feira, a suspensão das atividades do Nisshin Maru, navio-fábrica da frota baleeira, por questões de segurança.
As capturas da frota japonesa, que tem uma cota anual de cerca de mil cetáceos, foram de apenas 507 baleias no ano passado, fato que a Agência de Pesca atribuiu às atividades de "obstrução" da Sea Shepherd.
Captura proibida
O Japão caça anualmente centenas de baleias na Antártica em nome da "pesquisa científica", já que a captura comercial do cetáceo está proibida desde 1986.
A baleia jubarte, principal alvo dos perqueiros, é uma espécie ameaça de extinção. estima-se que existam cerca de 35 mil desses animais, somando-se todos os oceanos.
 As autoridades japonesas afirmam que o consumo de carne de baleia é uma tradição ancestral no arquipélago.
Na última segunda-feira (14), o denominado "grupo de Buenos Aires", integrado por Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Peru e Uruguai, pediu ao Japão que ponha fim à "caça científica" de baleias.


9.2.11

Matéria: Não é o Islã radical que preocupa os EUA - é a independência

Participação: CMI - Centro de Mídia Independente
Matéria: Não é o Islã radical que preocupa os EUA - é a independênciaData: 9 de Fevereiro de 2011


Publicado no The Guardian em 4 de fevereiro de 2011 
texto de Noam Chomsky 

"O mundo árabe está em chamas", destacou a Al-Jazeera na semana passada, enquanto em toda a região, os aliados ocidentais "perdem rapidamente sua influência". A onda de choque foi desencadeada pela dramática insurreição na Tunísia, que expulsou um ditador apoiado pelo Ocidente, com repercussões especialmente no Egito, onde manifestantes são brutalmente oprimidos pela polícia de um ditador.

Os observadores compararam os acontecimentos com a queda dos domínios russos em 1989, mas há diferenças importantes. Fundamentalmente, não há nenhum Mikhail Gorbachev entre as grandes potências apoiando ditadores árabes. Em vez disso, Washington e seus aliados mantem o princípio bem estabelecido de que a democracia só é aceitável na medida em que está de acordo com objetivos estratégicos e econômicos: boa em território inimigo (até certo ponto), mas não no nosso quintal, por favor, se não for devidamente domesticada.

Uma comparação de 1989 tem alguma validade: na Romênia, onde Washington mantém seu apoio a Nicolae Ceausescu, o mais cruel dos ditadores do leste europeu, até a fidelidade tornou-se insustentável. Em seguida, Washington elogiou sua derrubada, enquanto o passado foi apagado. Esse é o padrão: Ferdinand Marcos, Jean-Claude Duvalier, Chun Doo-hwan, Suharto e muitos outros gangsters úteis. Pode estar em curso, no caso de Hosni Mubarak, juntamente com os esforços de rotina, tentar garantir um regime sucessor não distante do caminho aprovado. A esperança atual parece ser o legalista Omar Suleiman, general de Mubarak, que acaba de ser nomeado vice-presidente do Egito. Suleiman, o antigo chefe dos serviços de inteligência, é desprezado pelo público rejeitado quase tanto como o próprio ditador.

Um refrão comum entre os especialistas é que o medo do islamismo radical exige (relutante) oposição à democracia, por razões pragmáticas. Embora não sem algum mérito, a formulação é enganosa. A ameaça geral sempre foi a independência. Os EUA e seus aliados têm apoiado regularmente islamitas radicais, às vezes, para evitar a ameaça do nacionalismo secular.

Um exemplo conhecido é a Arábia Saudita, o centro ideológico do islamismo radical (e do terror islâmico). Outro em uma longa lista é Zia ul-Haq, o mais brutal dos ditadores do Paquistão e favorito do presidente Reagan, que realizou um programa de islamização radical (com financiamento saudita).

"O argumento tradicional apresentado dentro e fora do mundo árabe é que não há nada de errado, tudo está sob controle", disse Marwan Muasher, um ex-funcionário da Jordânia e hoje diretor do centro de pesquisas do Middle East research for the Carnegie Endowment. "Com essa linha de pensamento, as forças entrincheiradas argumentam que os adversários e os de fora pedem reformas exagerando as condições no terreno".

Assim o público pode ser dispersado. Isso vale para todo o mundo, inclusive no território dos EUA. Em caso de agitação, mudanças táticas podem ser necessárias, mas sempre com um olho para reassumir o controle.

O movimento vibrante de democracia na Tunísia foi dirigido contra "um estado policial, com pouca liberdade de expressão, de associação e de graves problemas de direitos humanos", governado por um ditador, cuja família era odiado pela sua venalidade. Isso foi dito por Robert Godec, embaixador dos EUA, em um cabo de Julho de 2009 divulgado pelo WikiLeaks.

Portanto, para alguns observadores do WikiLeaks "esses documentos devem criar um sentimento de conforto no público americano de que os funcionários não estão dormindo no ponto" - na verdade, os cabos são tão favoráveis às políticas dos EUA que é quase como se Obama estivesse vazando-os por si mesmo (assim Jacob Heilbrunn escreve em The National Interest.)

"A América deve dar uma medalha a Assange", diz a manchete do "Financial Times", onde Gideon Rachman escreve: "A política externa dos Estados Unidos aparece íntegra, inteligente e pragmática ... a posição pública tomada pelos EUA sobre determinado assunto é geralmente é também a posição privada".

Nessa visão, o WikiLeaks mina os "teóricos da conspiração" que questionam os motivos nobres que Washington proclama.

O cabo Godec apóia essas decisões - isso se não for mais longe. Se fizermos isso, conforme os relatórios do analista de política externa Stephen Zunes no Foreign Policy in Focus, achamos que, com as informações de Godec na mão, Washington forneceu 12 milhões de dólares em ajuda militar para a Tunísia. Quando isso aconteceu, a Tunísia foi um dos cinco beneficiários estrangeiros: Israel (rotina); as duas ditaduras do Oriente Médio, o Egipto e a Jordânia, e a Colômbia, que há muito tempo tem o pior histórico de direitos humanos e a maior parte da ajuda militar dos EUA no hemisfério.

Heilbrunn é o apoio dos árabes para as políticas dos EUA visando o Irã, revelado por cabos e vazado. Rachman também aproveita este exemplo, como fez a mídia em geral, saudando essas revelações encorajadores. As reações mostram quão profundo é o desprezo pela democracia entre os cultos e educados.

Não é mencionado o que a população pensa - coisa que pode ser facilmente descoberta. De acordo com pesquisas divulgadas pelo Brookings Institution, em agosto, alguns árabes concordam com Washington e comentaristas ocidentais de que o Irã é uma ameaça: 10%. Em contraste, eles consideram os EUA e Israel como as principais ameaças (77%, 88%).

A opinião dos árabes é tão hostil às políticas de Washington de que a maioria (57%) acha que a segurança regional poderia ser aumentada, se o Irã tivesse armas nucleares. Ainda assim, "não há nada de errado, tudo está sob controle" (como descreve Muasher, a fantasia dominante). Os ditadores nos apoiam. Seus temas podem ser ignorados - a menos que quebrem suas cadeias, aí a política deve ser ajustada.

Outros vazamentos também parecem dar intusiástico apoio à nobreza de Washington. Em julho de 2009, Hugo Llorens, embaixador dos EUA em Honduras, informou Washington de uma investigação da embaixada de "questões jurídicas e constitucionais em torno da remoção forçada do presidente Manuel "Mel" Zelaya em 28 junho.

A embaixada concluiu que "não há dúvida de que o tribunal militar, supremo e congresso nacional conspiraram em 28 de Junho, no que constituiu um golpe ilegal e inconstitucional contra o Poder Executivo". Muito admirável, exceto que o presidente Barack Obama começou a romper com a quase totalidade da América Latina e na Europa, apoiando o regime golpista e minimizando as atrocidades subseqüentes.

Talvez as revelações mais notáveis do WikiLeaks tenham a ver com o Paquistão, segundo pelo analista politico Fred Branfman em Truthdig.

Os cabos revelaram que a embaixada dos EUA está bem ciente de que a guerra de Washington no Afeganistão e no Paquistão não só intensifica o desenfreado anti-americanismo, como também "os riscos de desestabilização do estado paquistanês" e ainda levanta uma ameaça de pesadelo: que as armas nucleares podem cair nas mãos de terroristas islâmicos.

Novamente, as revelações "devem criar uma sensação de conforto ... de que os funcionários não estão dormindo no ponto" (palavras de Heilbrunn) -, enquanto isso Washington marcha para o desastre.