29.10.10

Matéria: *[EUA] Unabomber lança seu primeiro livro: "Escravidão Tecnológica"*

Participação: ANA - Agências de Notícias Anarquistas
Matéria: *[EUA] Unabomber lança seu primeiro livro: "Escravidão Tecnológica"*
Data: 28 de Outubro de 2010

*De trás das grades, antigo acadêmico expõe a filosofia Ludista de sua
campanha anti-tecnológica *

Seu último trabalho publicado foi um “manifesto” de 35.000 palavras que
explicava os motivos por trás de sua campanha terrorista que durou 17 anos,
tornando-o a pessoa mais procurada nos Estados Unidos. Hoje em dia, não
mais perturbado pelo fato de seu manifesto o ter levado à sua identificação,
detenção e prisão perpétua, Theodore Kaczynski decidiu lançar seu primeiro
livro.

Compilado basicamente em sua cela da prisão de segurança-máxima em Florence,
Colorado, a brochura Technological Slavery (Escravidão Tecnológica) explica
mais profundamente a filosofia por trás das tentativas de Kaczynski de
destruir a civilização Ocidental através de uma permanente série de ataques
com bombas. O texto estranhamente coerente foi co-autorado com David
Skrbina, um professor da Universidade de Michigan que durante muitos anos
deu aulas sobre o manifesto do Unabomber como parte de um curso
universitário sobre filosofia da tecnologia.

O livro contém uma coleção de ensaios e correspondências com acadêmicos com
os quais Kaczynski expandiu suas crenças que inspiraram sua campanha:
nomeadamente aquela, para citar uma passagem, que diz que “a revolução
industrial e suas conseqüências tem sido um desastre à raça humana e que os
avanços tecnológicos estão destruindo o planeta e corroendo as liberdades
humanas”.

Dr. Skrbina disse que longe de ser o delírio paranóico de um homem louco, o
livro é meticulosamente elaborado. “Nele são traçados argumentos lógicos,
claros e sólidos”, disse. “Eu não conheci o homem pessoalmente – todos os
nossos contatos foram feitos através de cartas – mas em nossos procedimentos
não houve nenhum sinal de doença mental. Ele é lúcido, racional e calmo”.

Esta é uma conclusão diferente daquela em que chegou os psiquiatras da corte
de justiça que avaliaram Kaczynski após o FBI o ter detido em uma remota
cabana na cidade de Montana no ano de 1996. Decidiram que ele era um
esquizofrênico paranóico, mas que estava suficientemente apto a suportar um
processo por assassinato.

A violenta campanha de Kaczynsky, na qual três pessoas foram mortas e mais
de 20 feridas, começou em 1978. Antigo acadêmico e expert em matemática, ele
estava aparentemente irritado pela contínua destruição do mundo natural ao
redor de sua casa e começou a enviar bombas improvisadas para pessoas de
companhias de aviação, professores universitários e donos de lojas de
computadores. (O apelido “Unabomber” vem de “University and Airline Bomber”,
nome do caso registrado no FBI).

Na medida em que a campanha progredia, e os dispositivos se tornavam mais
efetivos – e mortais – Kaczynski começou a ter como alvos aqueles
profissionais que ele julgava serem responsáveis pela destruição do mundo
natural. Suas duas últimas vítimas, ambos assassinados, foram Thomas Mosser,
que fazia anúncios para a Exxon, e Gilbert Murray, um lobista que trabalhava
para a indústria madeireira.

Os ataques terminaram em 1995, quando o manifesto de Kaczynski foi publicado
pelo New York Times e o Washington Post. Ele entrou em contato com
investigadores, através de cartas anônimas, prometendo parar com os ataques
se o documento fosse impresso.

A publicação do manifesto levou à detenção de Unabomber: seu estilo de
escrita foi reconhecido por seu irmão David, que prontamente contatou o FBI.
Como parte de um acordo judicial, Kaczynski foi dispensado da pena de morte,
mas foi sentenciado à prisão perpétua sem liberdade condicional.

Uma versão atualizada do manifesto está inclusa no Escravidão Tecnológica.
De acordo com Dr Skrbina, isto fornece um insight à natureza dos códigos
éticos que os terroristas usam para justificar suas campanhas.

“Tento separar seus crimes de seus argumentos acadêmicos”, disse Dr Skrbina.
“Estou interessado em filosofia. Agora, certamente não apóio os assassinatos
que ele cometeu, mas se você está estudando ética então é importante
perceber que há muitos casos em que um indivíduo pode dizer, sim, há uma
base eticamente justificada para matar”.

“Os governos estão, de fato, argumentando que o assassinato é justificável
sempre que começam uma guerra. Em ambos, no manifesto e em suas cartas
escritas para mim, que também estão impressas no livro, Kaczynski está, de
fato, fazendo a mesma coisa”.

Fonte: The Independent

Tradução > Marcelo Yokoi